Formação e transformação

56. Os discípulos seguiram o senhor em seu ministério de proclamação do Reino e de cura dos aflitos. O senhor Jesus passou longos dias a sós com seus discípulos, explicando-lhe s os ministérios do seu Reino e formando-os para enviá-los a eles em missão. Em seguida eles lhe retornariam para refletir e para ouvi-los mais profundamente em vista do que haviam  experimentado. Mais tarde foram visitados pelo fogo Espírito qual transformou o entendimento que tinha de tudo o que Jesus lhe havia ensinado. Também nós somos enviados em missão, como homens formados  e sempre carentes de permanente formação, para o seu serviço.

57. Pronunciamos os nossos votos num momento, mas vivê-los por causa do Reino é obra de uma vida inteira. O seu cumprimento exige de nós mais do que mero desejo, até mais do que uma firme decisão. Exige a conversão dos nossos hábitos, do nosso caráter das nossas atitudes e dos nossos anseios.

58. E assim também com o nosso compromisso de cristão. A nossa consagração batismal é o ponto de partida de uma jornada que exige de nós, como acontece para todos, que sejamos refeito pela graça criadora do senhor, não uma, mas repetidas vezes. O mesmo ocorre com nossas vidas, numa comunidade religiosa, devemos deixar formar-se em nós, com a graça de Deus, a divina semelhança de Jesus Cristo.

59. Esta jornada se inicia antes da nossa profissão e somente termina no dia da nossa  ressurreição. Então seremos recriados a ponto de podermos dizer: “Não sou eu que mais vive, é Cristo que vive em mim. “ E o senhor quem nos dá o desejo e a realização. Nossa parte, importa submeter à sabedoria e a disciplina que hão de purificar-nos do egoísmo e de transformar-nos em homens generosos no serviço do seu povo.

60. A nossa experiência na Congregação de Santa Cruz é exigente. Ela é também fonte de alegria. E por isso mesmo oferece-nos um tipo de vida para o qual nos sentimos felizes em convidar a outros. O apelo do Senhor ecoará no nosso testemunho não desmentindo do Evangelho, no laço fraternal que nos une no entusiasmo com qual nos engajamos na missão, qualquer que seja a seu custo, e na acolhida sincera que oferecemos naturalmente àqueles que vêm até nós. Se amarmos profundamente a nossa vocação, saberemos partilhá-la com outros.

61. Os candidatos que chegam à Congregação mereçam da nossa parte o cultivo do seu amadurecimento, da sua generosidade, do seu aprendizado e habilitação para a vida comunitária. Com eles avaliamos o seu caráter, o crescimento como cristão. Ao mesmo tempo em que discernimos, ajudamo-los  a discerniram se estão dispostos e capacitados a somarem-se a nós em nossa Congregação. A natureza  e a duração do programa dos candidatos são aprovadas pelo provincial, cabendo a ele  em aceitá-los como candidatos ao noviciado.

62. O noviciado é o começo da vida na Congregação. Os noviços são ajudados a se formarem a si mesmo à meditação e oração a mutua prestação de serviço na vida comunitária, ao trabalho apostólico e ao conhecimento  da história, da espiritualidade, do caráter e missão da Congregação. Em resumo, são desafiados e ajudados a abrirem seus corações ao Evangelho, a viverem sob o mesmo teto e criarem fraternidade de discípulos. No noviciado se faz o aprendizado do celibato, da pobreza  e da obediência. O diretor ou mestre de noviço, nomeado pelo provincial e, sob a sua autoridade, tem plena responsabilidade pela formação dos noviços.

63. O provincial examina as qualificações dos candidatos para a validez da admissão e com o consentimento do seu conselho admite-os ao noviciado. Cabe-lhe também determinar a maneira pela qual se iniciará o período do noviciado bem como a sua data inaugural.

64. O noviciado erige-se numa casa designada pelo superior geral com o consentimento dos seus assistentes. A duração do noviciado, estende por dozes meses, no mínimo, na casa do noviciado  ou por dois anos no máximo, incluindo-se breves período de atividades apostólicas. Regulam-se ausência de acordo com o Direito Canônico. Conclui-se com a profissão dos votos temporários, aos quais os noviços é admitido pelo provincial. Os votos são recebidos assim como em todas etapas de profissão, pelo provincial ou pelo seu delegado, a menos que o seja pelo superior geral.

65. Antes de a primeira profissão o noviço livremente entregará  a administração dos seus bens a que bem entender e decidirá sobre seus usufrutos pelo tempo que durarem seus votos. Isso ele o fez por escrito, de forma válida pela lei civil, com ressalva de revocabilidade.

66. Noviço algum já admitido numas das sociedades de Santa Cruz pode transferir-se para outra sociedade sem a concordâncias do provincial ou dos provinciais em questão, com o consentimento dos conselheiros provinciais e com a permissão do superior geral, dada com o consentimento de seus assistente.

67. Essa profissão de votos é ordinariamente seguida de um programa de formação que envolve os novos membros de estudos e estágios ordenados às suas formas eventuais de serviço e às necessidades da nossa missão. Todos os membros recebem uma formação teológica e pastoral para os ministérios  leigos ou ordenados. São estimulados a refletir à luz do Evangelho sobre suas experiências apostólicas, de vida e de comunidade bem como a pesquisa teológica sistemática. São também incentivados a aprofundarem sua vida espiritual e de oração, especialmente mediante a pratica de uma direção espiritual regular. Entrementes, a maturidade, a prudência e a generosidade necessária para a missão e a vida comunitária são não só cultivadas, mas avaliadas. Destarte, cada vez mais que admitir um membro à renovação dos votos estará indicando o seu crescimento na direção de um caráter profundamente humano, explicitamente cristão e sempre mais preparado para um compromisso perpétuo em Santa Cruz

68. O período de formação inicial após o  noviciado tem a duração ao menos três anos e ordinariamente não mais de seis. Poderá em casos individuais ser estendido por mais três anos pelo provincial. Estará concluindo com a profissão perpétua dos votos para a qual o religioso é admitido pelo superior geral. Essa profissão será precedida por um tempo de preparação imediata. Determinado pelo provincial.

69. Antes de pronunciar esses votos, o membro fará um testamento que deve ser valido de acordo com a lei civil e dizer respeito às propriedades presentes e futuras . Para qualquer alteração desse testamento ou  de atos  de cessão de administração ou disposição de benefícios antes firmados, exige a permissão do superior provincial. Basta a permissão do superior local ou do diretor da residência para uma alteração no testamento de um religioso quando a urgência não permitir recurso ao provincial,seja para levar a efeitos os atos de rotina requeridas pela lei civil seja para dispor de propriedade. Se religioso deixar a comunidade, essa cessão de administração é anulada ipso facto e o seu testamento lhe será devolvido

70. Aquele que viverem de outros institutos religiosos, já com votos perpétuo, sequem o programa  de pelo ao menos três anos determinados pelo provincial de acordo como Direito Canônico.

71. A todos será dada a oportunidade de melhor capacitação pastoral e teológica e da educação superior mais adequada possível, levando-se em conta, todavia, o compromisso da comunidade com a pobreza. Visto que todos na Congregação devem, para o bem do ministério e de si mesmo, cultivar uma mente indagadora, enriquecedora pela a vida e pela reflexão , nenhuma idade será exclusa para deixar de lado o aprendizado sistemático ou nascido da experiência ou, mesmo, a educação permanente.

72. Devemos propiciar aos religiosos em formação inicial os beneficio próprio da Congregação de Santa Cruz. Somos comunidade religiosa de clérigo e leigos. A iniciação dos membros de cada sociedade será mais completo se tiverem alguma experiência com religioso e comunidade da outra sociedade. Programas conjuntos de formação entre sociedade e províncias e mesmo, se possível, com as irmãs de Santa Cruz, tornan a nossas riquezas mais acessíveis. Além disso, já que somos uma congregação internacional, haverá grande vantagem para todos se algum dentre nós puderem receber parte de sua formação  em outras províncias distrito ou culturas.

73. Oportunidade para uma experiência de vida direta e orientada junto aos sofrimentos e às esperança dos pobres deverá ser oferecida durante a formação inicial e mesmo em tempo de formação permanente. Esse tipo de experiências para religiosos de todas as idades poderá não só ser formadora, mas também transformadora.

74. A formação inicial é supervisionada e mais do que assegurada por membros da Congregação com votos perpétuos. O pessoal de uma casa de formação participa da responsabilidade do superior para o desenvolvimento de cada um dos  membros em formação. Deveriam ser, em verdade, educadores na fé, ter muito de vida e apostolado em Santa Cruz e ser adequadamente preparado para o seu ministério. Trabalham em equipe e vivem em comunidade com os que tiverem em formação. O programa de formação é pensado de tal modo a permitir que cada um assuma apropriadamente a responsabilidade  por sua formação e permita tanto ao formando quanto a congregação discernir a vontade da sua vocação.

75. Terminando o período da formação inicial, o religioso supera esse tipo de supervisão regular. E, todavia, nesta época de transição para uma autonomia maior, quando nos sentimos menos controlado em nossa vida pessoal, comunitária e apostólica, que adquirimos hábitos duradouros. As províncias devem atuar de tal modo que, nessa etapa de transição de vida e trabalho dos seus membros, seja garantidas a continuidade da formação permanente.

76. Comumente acredita-se que a nossa formação é mais intensa quando nós somos iniciante. Todavia, não é numa idade já bem madura que vivemos as experiências formativas mais radicais. Com efeito, é quando já avançamos pelos os caminhos da experiências adulta, na responsabilidade, que estamos mais pronto para autocrítica mais profunda, para o questionamento das nossas convicções e desejos e para o aprofundamento do nosso relacionamento com Cristo. Programas de renovação permanente dentro da comunidade são os cincos meios para propiciar a partilha dessa formação permanente.

77. Formação continua e é crescimento continuo. Como uma ajuda diária para o autoconhecimento e autogoverno, o exame de consciência permite-nos descobrir os limites da vida comunitária e da missão. Uma graça ainda mais prazerosa nos é dada na confissão sacramental repetida com razoável freqüência. Com ela abrimos nossa consciência com o Senhor, ao ministério do Senhor e a nós mesmos, e nela encontramos a reconciliação com os irmãos e o perdão do Senhor, que nos deu sua vida, a garantia de que  d ele não nos apartaremos. A direção espiritual ser-nos-à ainda mais vantajosa quando avançamos em idade na congregação, pois na medida em que nós crescemos em idade e responsabilidade em nosso trabalho, podemos encontrar maior dificuldade em avaliar-nos honestamente diante de Deus em relação em que estamos fazendo das nossas vidas e ao porquê do nosso agir. Trata-se aqui de pratica ordinária e salutares em vista de uma continua formação ao longo de toda nossa vida. E todas elas ajudam –nos a fixar no senhor nossas mentes e nossos corações com mais atenção e mais generosidade, colocando-nos a serviço do povo

78. Embora cientes do quanto nos podemos beneficiar com a formação contínua, todos nós religiosos, clérigos e irmãs sabemos também que às transformações mais decisiva nos chegam como dons gratuito de Deus, não quando nos conformamos a Ele, mas quando dele afastamos gravemente. Pra uns a crise chegará sobre o esgotamento interior, como uma incapacidade vencer as grandes faces da vida. Para outros, poderá vir acoplado a longos anos de relaxamento e auto-engano, determinando tudo em ruína. Apesar  da desintegração que possa afetar os frutos da nossa formação em que pese a profundidade da nossa queda, mas do que nunca necessitaremos de confronto solicito, do apoio e da sensibilidade dos irmãos para a nossa reabilitação. Foi assim que alguns dos religiosos mais sábios e mais forte da nossa comunidade puderam, pela graça de Deus crescer entre nós. Do mesmo modo, Pedro tornou-se discípulo verdadeiro e fiel do Senhor não durante os dias em que seguia a Galiléia. Com efeito, depois de ter renegado o Senhor e chorando, foi-lhe dada a oportunidade, não de voltar a ser o que era antes, mas  a de servir como nunca dantes servira.

79. Assim chegamos a saber que a formação e a conversão são ambas dons do Senhor que, como comunidade, podemos ajudar-nos uns aos outros a acolher