Consagração e doação

43. Aceitamos o chamado de Deus para engajar-nos publicamente e para sempre como membros da Congregação de Santa Cruz pelos votos de celibato consagrado, de pobreza e obediência. Como são grandes o mistério e o significado desses votos! E, todavia, como tudo é simples! São um ato de amor pelo Deus que por primeiro nos amou. Pelos nossos votos somos chamados a uma sincera intimidade com Deus a uma confiante dependência de Deus e a uma entrega livre e total a Deus. Queremos, pois, viver à imagem de Jesus, que no amor foi enviado para anunciar o senhorio de Deus e que nos convida a segui-lo.

44. Professamos os votos por causa da mesma missão de Jesus. No celibato consagrado queremos amar com tal liberdade, abertura e disponibilidade que ele possa ser reconhecido como um sinal do Reino. Na pobreza consagrada buscamos partilhar a sorte do pobre bem como esposar-lhe a causa, confiando no Senhor que olha por nós. Na obediência consagrada unimo-nos aos nossos irmãos na comunidade e a toda a Igreja na busca da vontade de Deus. Não pensamos que aqueles que escolhem para si um outro caminho de seguir a Jesus estejam por isso mesmo impedidos de servirem ao próximo. Ao contrário, vemos neles os nossos parceiros leais e complementares de uma única missão comum. Queremos que nossos votos, fielmente vividos, sejam para eles testemunho e interpelação, assim como o engajamento deles, fielmente vivido, seja testemunho e interpelação para nós.

45. Mediante os votos também nos empenhamos em ser sinais proféticos. Somos peregrinos neste mundo e enquanto esperamos a chegada da nova criação queremos ser servidores nesta terra. A mão de Deus ornou este mundo com muitos dons, mas muitas vezes estes dons são cultuados e o Doador é esquecido. Queremos viver os nossos atos de tal maneira que as nossas vidas questionem as seduções do nosso mundo: o prazer, a riqueza e o poder. Os profetas colocam-se diante do mundo como sinais daquilo que não passa, os profetas falam e agem no mundo como companheiros do Senhor a serviço do seu Reino. Rezamos para viver os nossos votos de tal maneira que possamos dar testemunho e prestar este serviço.

46. Os nossos votos nos reúnem em comunidade . engajamo-nos a partilhar uns com os outros o que somos, o que temos e o que fazemos. Assim, formamos uma comunidade como fizeram os que por primeiro acreditaram na Ressurreição de Cristo e foram repletos do seu Espírito. O grupo todo dos que creram era unido, um só coração e uma só alma. Ninguém considerava seu o que possuía, mas tudo era comum entre eles. Com um só coração partilhavam a mesma doutrina, a vida em comum, a fração do pão e a oração.

47. Pelo nosso voto de celibato comprometemo-nos a buscar a união com Deus em perpétua castidade, renunciando para sempre ao casamento e à paternidade por causa do Reino. Também prometemos lealdade, companheirismo e afeição aos nossos irmãos em Santa Cruz. São importante apoio para vivermos generosamente esse voto, a abertura e a disciplina na oração, o ascetismo pessoal, a compaixão no servir e o amor dado e recebido em comunidade. Eis o que esperamos e o de que carecemos: uma vida que seja abençoada por sincera e fiel amizade com os amigos e com os nossos companheiros de missão, relacionamentos que reflitam a intimidade e a abertura do amor de Deus por nós.

48. Pelo nosso voto de pobreza nós nos submetemos à direção da autoridade da comunidade no nosso uso e na nossa disposição da propriedade, já que nos comprometemos e manter os nossos bens em comum e a partilha-los com os irmãos. Toda remuneração pelos nossos serviços, toda renda, dons ou benefícios que nos couberem, deverão ser partilhados e desfrutados comunitariamente. A nossa esperança é de que a caixa comum seja nesse campo a expressão genuína da nossa solidariedade em Santa Cruz e que liberte os nossos corações para que eles possam ser possuídos pelo Senhor.

49. Por esse voto, renunciamos ao usufruto dos nossos bens materiais pessoais. Ainda que cada um de nós possa possuir e adquirir bens, nós nos desapegamos deles cedendo a outrem a administração, o uso e os rendimentos. Presumem-se como pessoais as heranças, os legados, os dons destinados a serem propriedade de um membro da Congregação. Aceitar uma herança ou legado ou a eles renunciar requer a permissão do superior local ou diretor. Em relação aos dons só se requer a permissão para aceita-los. Um membro com votos perpétuos, para renunciar à sua propriedade total ou parcialmente, necessita de permissão do superior geral, devendo também ater-se às formalidades civis.

50. Pelo nosso voto de obediência comprometemo-nos a aceitar fielmente as decisões dos que detêm autoridade na Congregação, de acordo com as constituições; também devemos obediência ao Papa. Renunciamos ao exercício independente das nossas vontades para unir-nos aos irmãos no comum discernimento da vontade de Deus como esta se manifesta na oração, na reflexão comunitária, nas Escrituras, na inspiração do Espírito na Igreja e no clamor dos pobres. Este voto envolve a nossa vida na Congregação tomada no seu conjunto e mediante ele esperamos descobrir e aceitar com maior certeza a vontade do Senhor.

51. Os nossos votos não somente nos reúnem em comunidade, mas devem também impregnar nossa vida enquanto comunidade. Um amor aberto, generoso e hospitaleiro deve caracterizar as nossas casas e o nosso serviço. Como congregação e em cada uma das nossas comunidades locais, comprometemo-nos a um uso moderado dos bens e a um estilo de vida simples. No discernimento do chamado do Senhor, somos uma comunidade a serviço da Igreja universal sob a direção pastoral do papa. E nem por isso devemos responder com menos prontidão às necessidades das Igrejas locais onde vivemos e trabalhamos. No que se refere ao culto divino, ao ministério pastoral e ao trabalho pelo Reino estaremos sob a autoridade pastoral dos bispos.

52. Vivemos nossa consagração em meio a diferentes países e culturas. Nosso engajamento será o mesmo onde quer que estejamos; tentaremos, todavia, exprimi-lo de tal modo que se enraíze e se enriqueça nos diversos contextos e culturas onde estivermos para refletir-lhes toda a riqueza. Esperamos assim que o nosso testemunho e o nosso serviço sejam mais eficazes para o Reino.

53. Quando professamos publicamente nossos votos, declaramos:
Eu, (nome), estando na presença de Jesus Cristo, o Filho de Deus e meu senhor, na assembleia desta Igreja, no seio da Congregação de Santa Cruz e diante de vós (nome e função da pessoa que recebe os votos), a vós me dirijo, para professar o dom de mim mesmo e os meus votos. Eu acredito que fui chamado pelo Pai e conduzido pelo Espírito para oferecer a minha vida e o trabalho da minha vida no serviço do Senhor para as necessidades da Igreja e do mundo. Por isso eu faço a Deus para sempre (por anos) os votos de castidade, pobreza e obediência de acordo com as constituições da Congregação de Santa Cruz. Possa o Deus que me permite fazer esses votos, fortaleça e proteja-me para ser fiel a esse compromisso.

54. O religioso que pronuncia seus votos pode propor para a aprovação do superior provincial ou do seu delegado modificações a essa fórmula em alterar, todavia, a parte em itálico.

55. A nossa consagração é pública, já que somos chamados a servir e a dar testemunho à luz do dia. É de todo desejável, pois, que sejamos normalmente vistos e conhecidos como membros da congregação. Adotamos um traje que convenha a religiosos, segundo decisões dos capítulos provinciais. O porte do símbolo da congregação, a cruz e as duas âncoras, identificar-nos-á como membros da Congregação de santa Cruz.