Oração

21. Deus nos comunicou o seu próprio sopro. Falamos a Deus com o ânimo e com as palavras de filhos a um Pai, já que o Espírito nos adotou como filhos em Cristo. O mesmo Espírito que nos alimenta com a energia e o afã de seguir o Senhor e de aceitar a sua missão, também nos dá o desejo de orar e a realização desse dom.

22. Os nossos pensamentos não são facilmente os seus pensamentos nem a nossa vontade, a sua vontade. Mas na medida em que o ouvirmos e com Ele dialogarmos, as nossas mentes se abrirão ao entendimento d’Ele e dos seus desígnios. E na medida em que na oração saborearmos o que é reto, também nos habilitaremos a trabalhar em nossa missão pela realização do Reino.

23. Rezamos com a Igreja, rezamos com a comunidade e rezamos a sós. Oração é a nossa fé atenta ao Senhor, nela O encontramos pessoalmente, mas ao mesmo tempo fazemo-lo em solidariedade com todos que O reconhecem como seu Pai.

24. Diante do Senhor aprendemos que a sua vontade deve ser feita, pedimos que a ninguém falte o pão de cada dia, ousamos juntar ao seu o nosso perdão, suplicamos que nos livre da tentação. Desejamos que o seu nome seja louvado e que venha o seu Reino e que sejamos seus fieis servidores na construção do Reino.

25. A Oração é também para nós uma luta, como foi para os primeiros discípulos que adormeceram na vigília. Até mesmo o nosso apostolado pode servir de pretexto para não rezarmos, já que o trabalho pode fazer as vezes da oração. Se não rezarmos, já que o nosso empenho pelo Reino pode levar-nos a pensar que o trabalho pode fazer as vezes da oração. Se não rezarmos, todavia, haveremos de ficar à deriva e o nosso trabalho não será mais para Ele. Para servi-lo em verdade é mister rezar sempre e nunca cessar. Seremos abençoados no devido tempo; nossos fardos serão aliviados; nossa solidão, visitada.

26. Quando O servirmos com fidelidade, é o trabalho que nos impele à oração. A abundância dos dons do Senhor, a tristeza pela nossa ingratidão, a necessidade gritante do próximo, tudo isso incide sobre nós no apostolado e nos conduz à oração.

27. Toda comunidade que seja cristão se reúne para o culto e para a oração. Isto é verdade tanto para a Igreja como para a Congregação de santa Cruz. A ceia do Senhor é a mais importante reunião de oração da Igreja. E para nós uma obrigação e uma necessidade partir o pão e partilhar o vinho todos os dias, a menos que uma razão muito séria no-lo impeça. Sentimo-nos mais vigorosos na jornada para a qual Ele nos enviou. Sentimo-nos também de modo particular como irmãos muito chegados quando partilhamos a mais bela e a mais fraterna de todas as refeições.

28. Embora sejamos uma comunidade apostólica com compromissos e responsabilidades que nos levam a participar de celebrações de outras assembleias, nós, na Congregação de Santa Cruz, temos também a necessidade, dentro de um ritmo regular a ser estabelecido em cada uma das nossas casas, de rezar e celebrar juntos. É sumamente conveniente reunirmo-nos para os dois principais momentos da Liturgia das Horas, a oração da manhã e a tarde. É mister estarmos livres para esses encontros. Além das orações oficiais da Igreja, podemos também recorrer ao sadio repertório das devoções populares, como as dirigidas à Mãe do senhor.

29. As festas do ano litúrgico se, por um lado, nos reúnem em comunidade, por outro, podem separa-nos. As nossas próprias festas, todavia, deveriam ensejar-nos ocasiões de orar em família e celebrar juntos. A mais importante de todas é a festa de Nossa Senhora das Dores, dia comemorativo de toda a Congregação, porque Ela é a padroeira de todos nós. Celebramos também as festas do sagrado Coração e de São José, as principais festas dos padres e dos irmãos. Há também as festas dos que santamente nos precederam na Congregação de Santa Cruz. Como Congregação temos o nosso próprio ciclo de celebrações quando nos reunimos em família para festejar profissões de votos, ordenações, jubileus e funerais.

30. Além da liturgia que nos convoca como Igreja e como Congregação, temos também aquela oração tranquila que, a sós, fazemos diante do Pai. Contemplamos o Deus vivo oferecendo-nos para ser arrastados pelo seu amor e aprendendo a amar com o mesmo amor. Desse modo entramos no mistério do Deus que escolheu habitar no meio do seu povo. A sua presença eucarística é o penhor disso. Por isso mesmo e de modo especial nos convém rezar diante da reserva eucarística. Necessitamos todos nós alimentar-nos com pelo menos meia hora diária de silenciosa oração. Devemos, também, interiorizar as Sagradas Escrituras, e também ler e refletir sobre textos referentes á vida espiritual. Como membros de Santa Cruz leremos regularmente estas constituições, que são a norma de nossas vidas.

31. Cada um de nós, anualmente, deve afastar-se das suas ocupações e preocupações para um retiro de vários dias a fim de, sem nenhuma perturbação, rezar e refletir. Nesse momento de tranquilidade a nossa única preocupação será a de estarmos atentos às moções do Espírito. Veremos nossas vidas e trabalhos sob nova e brilhante luz; encontraremos, então, força para responder ao Espírito e para alterar o quadro em que a rotina e a mediocridade nos instalaram. Uma oração prolongada como esta pode adquirir intensidade bastante para reacender o nosso amor e o nosso zelo pelo Senhor, os quais podem facilmente esmorecer. Dias de recolhimento periodicamente programados podem igualmente renovar o dom de nós mesmos.

32. Em verdade não somos nós apenas que rezamos, mas é o Espírito de Jesus que reza em nós. E nós que somos tão solícitos na pregação do reino de Deus, carecemos de voltar com frequência a sentar-nos aos seus pés para ouvi-Lo ainda mais de perto.