Missão

9. Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho único para que pudéssemos ter vida, e tê-la em abundância. Na plenitude dos tempos, o senhor Jesus veio até nós, ungido pelo Espírito, para inaugurar o Reino de justiça, de amor e de paz. O seu domínio não se confundiria com um regime puramente terreno, mas iniciaria uma nova criação em toda terra. O seu poder se exerceria por dentro e por fora, libertando-nos das injustiças, tanto das que sofremos como das que infligimos aos nossos irmãos.

10. Essa era a boa noticia que muitos não entenderam e muitos rejeitaram. O Senhor Jesus foi crucificado, mas o Pai O ressuscitou na glória e o Cristo enviou o seu Espírito ao seu povo, à Igreja. Morrendo e ressuscitando com ele no batismo, os seus seguidores são enviados para continuar a sua missão, para apressar a chegada do Reino.

11. O mesmo Espírito animou o padre Moreau a fundar a comunidade de Santa Cruz, na qual respondemos ao chamado para servir a Cristo. Vivemos e trabalhamos juntos como padres e irmãos. O nosso respeito mútuo e a partilha dos nossos projetos deveria ser sinais de esperança do reino e o seria na medida em que ficar claro aos outros o quanto nós, padres e irmãos, nos amamos.

12. Como discípulos de Jesus estamos presentes ao lado de todos os homens e mulheres. Sofremos como eles e elas o embate das mesmas lutas e o cerco das mesmas fraquezas; com eles e elas fomos renovados pelo mesmo amor do Senhor e esperamos juntos um mundo onde prevaleçam a justiça e o amor. Por isso mesmo, para onde quer que, mediante os seus superiores, a Congregação nos envie, seremos educadores na fé para aqueles cuja sorte partilhamos, apoiando, por toda parte, os homens e as mulheres de boa vontade habitados pela graça, nos seus esforços em formar comunidades do Reino que está chegando.

13. Cristo foi ungido para levar a boa noticia aos pobres, a libertação aos cativos, a vista aos cegos, a recuperação a todos os esmagados pelo sofrimento. O nosso esforço, que também é o d’Ele, visa a todos os aflitos, mas como seus companheiros, para estar com eles e sermos um deles. Não que tomemos posição contra inimigos pecadores; diante do senhor somos todos pecadores e ninguém é um inimigo. Nós nos colocamos ao lado dos pobres e dos aflitos porque só a partir deles, a exemplo de Jesus, podemos chamar a todos para a conversão e para a libertação.

14. A missão não é simples, pois os tipos de pobreza que teremos de aliviar não são simples. Há uma cadeia de privilégios, de preconceitos e de poderes tão generalizados na sociedade que muitas vezes nem os opressores nem as vitimas têm consciência  deles. A convivência amiga com os empobrecidos e um paciente aprendizado devem despertar a nossas consciência e a nossa capacidade de entender, já que, no Reino que há de vir, os discípulos devem ter não só a competência para ver, mas também a coragem de agir.

15. O nosso zelo pela dignidade de todos os homens, filhos queridos de Deus, nos leva a ocupar-nos com as vítimas de todo tipo de sofrimento: preconceito, fome, guerra, ignorância, infidelidade, vício e calamidade natural.

16. Para muitos dentre nós na Congregação de santa Cruz a missão se expressa na educação da juventude nas escolas, colégios e Universidades. Para outros a missão como educadores realiza-se em paróquias e ministérios. Onde quer que trabalhemos, ajudamos os outros não só a reconhecerem e desenvolverem seus talentos, mas também a descobrirem as aspirações mais profundas dos seus corações. Também nos damos conta de que temos muito a aprender daqueles a quem fomos chamados a ensinar qualquer que seja a nossa obra missionária.

17. A nossa missão leva-nos a cruzar todo tipo de fronteiras. Termos, não raro, de adaptar-nos a mais de um povo ou cultura, lembrando-nos de que quanto mais tenhamos a dar mais teremos de receber. A nossa experiência mais ampla poderá, por um lado, possibilitar-nos uma apreciação e uma crítica mais adequada das diferentes culturas e, por outro lado, dar-nos a certeza de que cultura nenhuma deste mundo pode ser considerada como a nossa morada definitiva.

18. Todos nós estamos envolvidos na missão: os que saem para trabalhar e aqueles cujo trabalho é o sustento da própria comunidade; os que estão na plenitude do seu vigor e os já abatidos pela doença ou pela idade, os que vivem o companheirismo de uma comunidade local e os que são enviados a viverem e trabalharem sós; os que estão em plena vida ativa e os que ainda estão em período de formação. Todos nós, formando uma única fraternidade, respondemos comunitariamente à missão do Senhor.

19. Periodicamente fazemos a revisão dos nossos ministérios para ver até que ponto correspondem à missão. Temos de avaliar a qualidade, a forma e as prioridades dos nossos apostolados a fim de que se mantenham sempre adequados às reais necessidades da Igreja e do mundo.

20. A nossa missão é a missão do Senhor, também do Senhor é a força para ela. Nós nos dirigimos a Ele na oração para que seja nosso arrimo e se sirva de nossas mãos e do nosso espírito para fazer o que só Ele pode fazer. Então o nosso próprio trabalho transforma-se em oração: um serviço que fala ao Senhor que opera por meio de nós.